“Eu dirijo o Gullwing (apelido do Mercedes) primeiro amanhã”, diz Ed Loh, se recostando enquanto segura uma bebida. “Eu preciso de tempo para decidir se o V8 soa mais como a sala de máquinas do USS Nimitz ou como o KISS tocando Wagner durante uma tempestade.” “Na verdade, você fica com o 911 Turbo”, diz Ron Kiino limpando um pouco de caviar dos lábios. “Eu fico com o Audi R8, e o Art fica com o Gullwing. “Eu sei disso porque – ah, claro, aceito outro coquetel, obrigado – I sei disso porque 570 cavalos são demais para você. E também, não se pode ter tudo o que se quer.”
“Tudo bem, eu dirijo o Turbo com prazer”, diz Loh. “E vocês dois não vão ver nada além da minha traseira, porque meu Porsche pode ir de 0 a 96 km/h [a voz sobe em tom eloquente] apenas 2,6 seguuuuundos. Além disso, com minhas habilidades eu posso... ei, o Art ainda está aqui? Tudo o que eu vejo na cadeira dele é um copo de Martini vazio e uma nuvem de fumaça de charuto.”
Isso também explica o porquê de Loh, Kiino e eu logo nos encontrarmos sentados no suntuoso restaurando Circo do cassino Bellagio, rodeado dos aperitivos que parecem arte moderna preparados pelo chef Massimiliano Campanari, queixos apoiados nas mãos. Viemos a Vegas para a boa vida – tentar provar a vida como o dono de uma de nossas carruagens mágicas deve vivê-la. Mas as fantasias nem sempre funcionam como imaginamos. Por exemplo: nosso plano de chegar ao reluzente cassino do Bellagio e apostar alto no bacará a noite toda – preferivelmente contra um cara chamado Le Chiffre como em James Bond.
“Em cinco minutos, perdi tudo”, eu digo, espetando um camarão. “Moedas suficientes para pelo menos fazer a lavanderia do mês.” “Isso não é nada”, Kiino retruca. “Você sabe como você é cobrado quando tira uma garrafa de bebida do frigobar do quarto?” “E daí?” “Obrigado por me avisar. Eu queria um gole e não achei meus óculos, então eu tirei todas as garrafas para olhar de perto.” “Ótimo”, diz Loh. “E você ia nos levar para ver o balé de Las Vegas torrando tudo sob Gastos Gerais.” “Veja o lado bom”, Kiino responde. “Até agora pelo menos, nenhum de nós arrancou seu próprio dente.”
“Vamos falar sobre como eu nasci para dirigir o Audi R8 V10”, diz Kiino. “Cara, eu adoro o cheiro de 230 km/h pela manhã.” “Agora eu sei como o peão Slim Pickens se sentiu no final de ‘Dr. Strangelove’”, eu digo de trás do volante do SLS. “Dirigir essa coisa é como montar uma bomba atômica – exceto pelo equipamento de som de primeira.”
Se você quer especificações e números nas pistas, eles estão todos na tabela ao fim dessa matéria. Leia-os com atenção, e então leia de novo. Da primeira vez, você pode não acreditar em seus olhos (o carro mais lento aqui atinge 96 km/h em apenas 3,6 segundos). Nosso objetivo ao reunir esse trio, porém, era desfrutar dessas máquinas como o dono o faria – pisando fundo em áreas descampadas, berrando pelos trechos sinuosos desertos, simplesmente deixando sua maravilha fluir por horas.
O V10 do Audi R8, diz Kiino, “é absolutamente uma joia. A velocidade chega sem esforço, o motor cantando docemente bem atrás de seus ouvidos.” Loh concorda: “O ronco do motor atingindo pela primeira vez sua espinha, sua nuca, seus ouvidos... pura mágica.” E ainda que todos concordemos que o exótico carro da Audi precise de uma transmissão automática-manual de embreagem dupla – ao menos como opcional – o câmbio manual de seis marchas irradia carisma. “Adoro o ruído mecânico ritmado enquanto se passa pela grelha metálica”, diz Loh. “Muito refinado e suave”, adiciona Kiino. “A embreagem também é uma moleza de operar.”
Ed tem toda razão. Comparar esse trio é como tentar equiparar patê fois gras, pato com laranja e um hambúrguer de ambulante. “Eu quero um de cada” é o que você realmente quer dizer. Certamente são necessárias análises mais detalhadas. É hora de forçar essas belezas – ao extremo – por um trecho montanhoso tão sinuoso quanto uma minhoca.
Duas horas mais tarde, encontramos: A Estrada Perfeita. Melhor de tudo, ela está interditada (graças aos preparativos feitos de antemão com a Polícia Rodoviária da Califórnia). Ron entra no rádio: Preparar. Apontar...” E então ele se vai, sem se preocupar em compartilhar “Fogo” com Ed e eu, se lançando com o 911 Turbo pela primeira curva e ladeira acima. Loh se manda em meio a uma nuvem de fumaça dos pneus do SLS e eu saio em perseguição com o R8. Estamos à solta em um perímetro do deserto onde os pilotos da Marinha regularmente aprimoram suas habilidades fazendo rasantes sorrateiros a 950 km/h por sobre motoristas passeando desprevenidos. Nesse exato momento, estamos fazendo mais barulho do que os F/A-18 que eles usam.
Esqueça o bacará com Le Chiffre: essa é a bolada que nós três realmente esperávamos ganhar. Subimos morro acima, o pé direito levando os pedais ao chão sempre que possível, acionando as borboletas (Porsche e Benz) e cutucando a alavanca de câmbio (Audi), os pneus uivando nas curvas, motores nos imobilizando enquanto nossos alazões aparentemente cavalgam em direção às nuvens. No alto do morro, nós encostamos e descemos dos carros.
“Encontrou?”, pergunta Kiino. “O que?”
O Porsche tem uma curiosa mistura de desempenho estrondoso e personalidade distante, quase antisséptica. “O som do escapamento é quase tão harmonioso quanto um liquidificador”, disse Kiino. “Se estivéssemos rodando a mais de 240 km/h, iria querer um motor cuja música – e não só sua musculatura – me fizesse querer acelerar ao máximo.” O Turbo provou-se tudo menos inabalável, no entanto, produzindo aderência incrível, parando com força enorme, nunca pisando em falso. “A direção também é sublime”, Loh adiciona.
Mas foi o Audi R8 5.2 que fez cada um de nós tecer comentários quase frívolos. “Condução inacreditavelmente boa para um supercarro de motor central”, Loh afirma. “Nada da aspereza do Porsche, nada dos cantos vivos do SLS.” “Meu Deus! Que máquina!”, nota Kiino. “Tantas qualidades que eu mal sei por onde começar. Calmo, tranquilo e seguro em velocidades de corrida – 290 km/h pareciam 190. Tão fácil de dirigir quanto um carro popular.” O V10 do Audi possui reservas aparentemente inesgotáveis de torque, basta pisar de leve, mesmo em sexta marcha, que a frente se ergue instantaneamente.
“Não. Eu desceria até minha garagem à noite e simplesmente ficaria olhando apaixonado – por horas.” “Ei, Ron”, responde Loh. “Você não precisa de um Audi de 170 mil dólares. O Art já faz isso com um espelhinho barato.”
1º lugar: Audi R8
Estilo digno de uma galeria de arte, cabine digno de Gucci, desempenho furioso e civilidade abençoada. O supercarro alemão pelo qual você apostaria sua casa no cassino.2º lugar: Porsche 911 Turbo
Aceleração capaz de criar buracos negros, aderência e freios monstruosos, brilhantes trocas no volante, conduta impecável. Incrivelmente, ele também pode parecer sem sal.3º lugar: Mercedes SLS
Estilo enorme, potência enorme, desempenho enorme. Mas ele é exaustivo conforme os quilômetros passam e é o mais delicado de dirigir próximo ao limite.
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